CMF vai investigar confusão em audiência
Durante debate sobre o estaleiro, manifestantes causaram tumulto
O presidente da Câmara Municipal, o vereador Salmito Filho (PT), lamentou a manifestação ofensiva da platéia, composta por possíveis moradores da comunidade do Serviluz, contra os parlamentares municipais e estaduais que estiveram presentes na Audiência Pública, anteontem, que discutiu a polêmica instalação de um estaleiro, defendida pelo Governo do Estado, e o projeto de revitalização da Prefeitura para a região do Titanzinho. O vereador também demonstrou indignação quanto às denúncias de compra de militantes para tumultuar a sessão.
Apesar das provocações, Salmito esclareceu que o debate foi bem conduzido, possibilitando conhecer os dois projetos – tanto do Estado quanto do Município –, embora tenha sido pouco aproveitado devido à desordem causada pelos manifestantes.
Já em relação à suspeita de compra de militantes para interromper o debate, o petista não afastou a possibilidade de investigação, desde que seja feita formalmente por algum vereador. Salmito esclareceu ainda que partiu dele a idéia de entregar camisetas aos participantes da audiência, mas julga “inaceitável” o possível pagamento de R$ 20,00 reais aos manifestantes.
Desentendimento
O assunto também causou desentendimento entre os vereadores – Magaly Marques (PMDB) e João Alfredo (PSol). A vereadora repudiou a atitude dos manifestantes, na Audiência Pública realizada na tarde da última terça feira, na Câmara, onde foi insultada verbalmente. Ela deixou transparecer que os militantes “baderneiros” foram levados pelo colega parlamentar João Alfredo, que, ofendido com o comentário de Magaly, revidou o ataque. “Não aceito que me responsabilize pelo ocorrido”, advertiu. Segundo João Alfredo, a população do Serviluz apenas rebateu as agressões proferidas. Ele lamentou os exageros cometidos em decorrência da defesa dos pontos de vistas contrários e favoráveis à construção de uma indústria naval no Ceará.
Disciplinamento
Na tentativa de evitar confrontos durante a realização de Audiências Públicas na Casa, o vereador Carlos Mesquita (PMDB) propôs a possibilidade de um disciplinamento, como a exigência do registro das pessoas que participam das sessões. “De início, proporíamos que sejam cobrados nome, endereço e RG de cada participante desses eventos que subir à tribuna nos debates. Não podemos ver representantes do povo, eleitos por esse povo, serem achincalhados e até ameaçados fisicamente por elementos irresponsáveis”, explicou.
De acordo com ele, isso evitará que jovens, menores de idade, desrespeitem os parlamentares, que estão debatendo assuntos importantes para a cidade. O vice-presidente da Câmara, José do Carmo (PSL), acatou de imediato a proposta, tendo em vista, o caos formado na Casa, na última Audiência Pública. Porém, Salmito Filho achou a proposta muito “perigosa”, pois “corre” o risco de ser entendida como censura. “Sou a favor da democracia e da liberdade”, alegou.


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